Áurea Martins (Áldima Pereira dos Santos), nasceu no bairro de Campo Grande, na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de junho de 1940.
Áurea brotou e floresceu duma cepa de músicos (sua
avó tocava banjo) radicada na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Suas primeiras
apresentações em público dão-se como integrante do coral do Ginásio Estadual
“Raja Gabaglia”. No final da adolescência, passa a frequentar os clubes de jazz
do subúrbio e a atuar como lady crooner do conjunto dos tios em bailes da
periferia. Na primeira metade dos anos 60, começa a ser atraída para o centro
da cidade. Numa renovação do cast da Rádio Nacional, é incluída entre os
novos integrantes do elenco da emissora, ao lado de Alaíde Costa, Peri
Ribeiro (1937-2012) e Elis Regina (1945-1982), sob o incentivo de Paulo
Gracindo (1911-1995) e Mário Lago (1911-2002). Aliás, foi a dupla
Gracindo e Lago que transformou Áldima, em Áurea Martins na primeira metade da
década de 1960. A sua voz é registada em disco pela primeira vez, numa faixa do
LP 'Alvorada dos Novos' (1963), produzido por Altamiro Carrilho
(1924-2012), para a Copacabana.
Em 1969, vence a quarta edição do programa anual A Grande
Chance, criado e apresentado por Flávio Cavalcanti (1923-1986), para
a Rede Tupi de Televisão. A final ocorreu no Theatro Municipal do Rio de
Janeiro. Pelo primeiro lugar, conquistado com a nota máxima de todos os
jurados, Áurea recebe como prêmio uma viagem a Portugal e um contrato para
gravação de disco na RCA Victor.
Após registrar dois compactos, produzidos por Rildo Hora,
com arranjos de Guerra Peixe (1914-1993), Áurea Martins lança em
1972 seu primeiro LP ‘O amor em paz’.
Disco produzido por Rildo, com arranjos do pianista Luís Eça (1936-1992)
e a participação do poeta Paulo Mendes Campos (1922-1991) –, Áurea é
acompanhada pelo Tamba Trio (Bebeto, Luiz Eça e Ohana), e o violonista
Luís Cláudio Ramos.
De crooner de orquestras em bailes da Zona Oeste da cidade do Rio
de Janeiro (RJ), Áurea se transformou, ao longo dos anos 1970 e 1980, numa
respeitada cantora da noite em boates e casas noturnas, situadas no Centro e,
sobretudo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Entre elas, a 706, com Emílio
Santiago e Djavan; a Dancing Avenida e a Carioca da Gema; Já no 'Chiko’s Bar'
Áurea se apresenta ao lado dos pianistas Zé-Maria Rocha, Johnny Alf e Luís
Carlos Vinha "Antonino". Na década seguinte, alcança a tão almejada autonomia
artística de cantora, passando a fazer shows inéditos em teatros e participando
de espetáculos musicais ao lado de vários artistas. Nessa fase, Áurea Martins
estreia ao lado da cantora Zezé Gonzaga (1926–2008) e do pianista, amigo
e fiel escudeiro Zé Maria Rocha, o espetáculo dedicado a obra de Lupicínio
Rodrigues (1914-1974), que lhe rendeu visibilidade, começando a aparecer
nos jornais com destaque em rito de passagem, que culminou com a retomada da
carreira fonográfica em meados de 2000. A “crooner de voz rouca”, Áurea
Martins é reconhecida pelo compositor, cantor, escritor e estudioso das
culturas africanas, Nei Lopes como uma das três maiores cantoras
do Brasil.
Em 2003, lançou, o CD 'Áurea Martins', que contou
com a participação especial de Nelson Sargento. Disco produzido por Dalva
Lazaroni, com direção musical de João de Aquino.
Em 2007, integrando a Orquestra Lunar, lançam o CD homônimo
do grupo, pelo Selo Rádio MEC.
Em 2008, lança, pela Biscoito Fino, o CD 'Até Sangrar',
produzido por Hermínio Bello de Carvalho e pelo pianista Zé Maria Rocha. O
disco lhe rende o "Prêmio da Música Brasileira" como "Melhor
Cantora" na categoria MPB (2009).
Em 2010, lançou, o CD "Depontacabeça", pela
Biscoito Fino, celebrando seus 70 anos de idade e 50 de carreira. Disco
produzido por Hermínio Bello de Carvalho e Lucas Porto, com texto de encarte
escrito por Aldir Blanc.
Em fevereiro de 2012, o Canal Brasil exibiu o especial “Iluminante”,
trazendo um panorama da sua vida musical, narração de Fernanda Montenegro, com
participações especiais, entre eles, Chico Buarque. Em julho do mesmo ano, a
Biscoito Fino, lança o DVD/CD “Iluminante”, idealizado e produzido por Hermínio
Bello de Carvalho.
Em 2014, com a cantora Alaíde Costa, estreia o show ‘Elizethíssima – uma sincera homenagem a
Elizeth Cardoso’, idealizado
por Hermínio Bello de Carvalho.
Em dezembro 2017, a sua biografia "Áurea Martins: a
invisibilidade visível", escrita por Lucia Neves, é lançada pela
editora Folhas Secas, com capa de Gringo Cardia, sobre foto de Percio
Campos. Em novembro do mesmo ano, Áurea é laureada com o Prêmio
"Grão de Música", troféu Elifas Andreato, pela
interpretação da música "Bola no bola" (Vidal Assis e Hermínio
Belo de Carvalho). O prêmio tem direção artística e coordenação geral da
cantora e compositora paraibana Socorro Lira.
No ano de 2018, é convidada para integrar o show e disco 'Sueli
Costa convida Fernanda Cunha & Áurea Martins - ao vivo', com produção e
roteiro de Fernanda Cunha.
Em 2019, ao lado de Gonzaga Leal, lança o CD 'Olhando o
céu, viu uma estrela', uma homenagem a Dalva de Oliveira.
Por ocasião das celebrações possíveis nos 80 anos de Áurea
Martins, em pleno isolamento pandêmico do covid, em junho de 2020, dois projetos
foram lançados na internet: "Tempos Áureos", com produção de Alcides
Sodré e Michele Agra e "80 Homenagens Áureas", produzido e
conduzido por Paulo Cunha.
Em 2021, lança com João Senise o CD “Quase 50 Aurea
Martins encontra João Senise”. O álbum tem direção musical, arranjos e
piano do maestro Gilson Peranzzetta.
Em março de 2022, lança o disco "Senhora das Folhas", pelo selo Biscoito Fino, com patrocínio da Natura musical. Idealização e direção artística de Renata Grecco, com direção musical, produção e arranjos de Lui Coimbra. O álbum é uma homenagem às curandeiras, rezadeiras e benzedeiras, personagens do universo feminino sagrado, guardiãs da sabedoria popular, da fé e da tradição. O disco arrebatou a crítica e o público. Indicado ao Grammy em 2022 e em 2023 recebeu o Prêmio Profissionais da Música na categoria de melhor álbum.
Em 2024, lança com João Senise "Aurea Martins e João
Senise celebram Sinatra & Jobim", o disco tem direção musical e
arranjos do maestro Gilson Peranzzetta.
Áurea Martins para além dos discos autorais e em parceria,
tem participação especial em uma longa discografia da música brasileira, ela
gravou canções em mais 70 álbuns de diversos artistas, entre 1963 e 2025, como:
Rildo Hora, Délcio Carvalho, Paulo César Fetal, Alcione, Wilson das Neves, João
Callado, Fernando Temporão, Heitor dos Prazeres Filho, Márcio Lott, Leandro
Fregonesi, Ivor Lancellotti, Moyseis Marques, Dona Ivone Lara, Fhernanda
Fernandes, Tico de Moraes, Angela Ro Ro,
João Senise, João Cavalcanti, Roberta Sá, Hermínio Bello de Carvalho, Vidal
Assis, Zélia Duncan, Ana Costa, Cristovão Bastos, Verônica Ferriani, Nelson
Sargento, os songbooks de Tom Jobim (v. 5) e Chico Buarque (v.8), produzidos
por Almir Chediak, entre muitos outros.
Áurea também deixou a sua história registrada para
posteridade, em gravação no Museu da Imagem e do Som – MIS Rio (2017),
no projeto “Depoimentos para a posteridade”. Tem dois curta-metragens
dedicados à sua obra e vida musical, 'Áurea' (2009), de Zeca Ferreira;
e 'A dama da noite: Áurea Martins' (2017), de Luciana Requião.
Participou de diversos documentários dedicados a personagens das artes, além,
de especiais e programas de TV dedicados a diversos artistas da cena musical
brasileira. Consta e participa do livro 'Solistas dissonantes: história
(oral) de cantoras negras', de Ricardo Santhiago (Letra e Voz/2009),
dedicado a histórias orais de treze cantoras negras brasileiras. Ao longo dos
anos recebeu homenagens, condecorações e prêmios pela obra e sua atuação na
cena musical brasileira.
Aurea Martins ao longo da sua trajetória artística, em mais
de 65 anos dedicados à música, apresentando um repertório refinado que
atravessa gerações e parcerias com diferentes mestres da música brasileira, estreou
diferentes espetáculos e participou de inúmeros shows e apresentações, ao lado
de nomes importantes da música brasileira, como: Alaíde Costa, Johnny Alf, Dona Ivone Lara,
Carmen Costa, Angela Suarez, Nelson Sargento, Daúde, Teresa Cristina, Zezé
Motta, Renato Braz, Leci Brandão, Gabi Buarque, João de Aquino, Zezé Gonzaga, Mart'nália,
Alcione, Elza Soares, Marisa Gata Mansa, Emílio Santiago, Nilze Carvalho, Vidal
Assis, Ana Costa, Daniela Spielmann, Leny Andrade, João Senise, Socorro Lira,
Luiz Melodia, Zé Maria Rocha, Cristovão Bastos, Gilson Peranzzetta, Cláudio
Jorge, Amelia Rabello, Wilson
das Neves, Marcos Sacramento, Lui Coimbra, Alfredo Del Penho, Moyseis Marques,
entre muitos outros. Integrou a Orquestra Lunar, com a qual realizou
shows e gravou um disco. Ganhou um palco com o nome dela no Palácio da Música,
no Flamengo (Rio de Janeiro).
Aos 85 anos, Áurea Martins segue cantando, gravando
e fazendo shows nos palcos da música e da vida, impondo sua emblemática voz rouca,
com
seu jeito único e atemporal, conquistando novos admiradores por onde se
apresenta.
"Áurea Martins, musa inspiradora, mãe de tantos, mãe da música: nós amamos sua verdade, nós amamos sua coragem, seus critérios, suas palavras e coração."



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Linda, maravilhosa!!!!! Eu amo essa grande artista. Não consigo conter a emoção de ouvi lá . Sucesso e saúde para você ,brilhante Áurea Martins.
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